{"id":364,"date":"2024-11-30T17:22:42","date_gmt":"2024-11-30T17:22:42","guid":{"rendered":"https:\/\/osubversivozine.com.br\/?p=364"},"modified":"2024-11-30T17:22:42","modified_gmt":"2024-11-30T17:22:42","slug":"homenagem-as-lojas-de-rock-de-brasilia-os-templos-do-underground-candango","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/osubversivozine.com.br\/?p=364","title":{"rendered":"Homenagem \u00e0s Lojas de Rock de Bras\u00edlia: Os Templos do Underground Candango"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"720\" height=\"480\" data-attachment-id=\"365\" data-permalink=\"https:\/\/osubversivozine.com.br\/?attachment_id=365\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/osubversivozine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/20220505143106_l_CONIC.jpg?fit=1080%2C720&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1080,720\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"20220505143106_l_CONIC\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/osubversivozine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/20220505143106_l_CONIC.jpg?fit=720%2C480&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/osubversivozine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/20220505143106_l_CONIC.jpg?resize=720%2C480&#038;ssl=1\" alt=\"Conic, o templo da perdi\u00e7\u00e3o\" class=\"wp-image-365\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/osubversivozine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/20220505143106_l_CONIC.jpg?resize=1024%2C683&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/osubversivozine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/20220505143106_l_CONIC.jpg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/osubversivozine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/20220505143106_l_CONIC.jpg?resize=768%2C512&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/osubversivozine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/20220505143106_l_CONIC.jpg?resize=135%2C90&amp;ssl=1 135w, https:\/\/i0.wp.com\/osubversivozine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/20220505143106_l_CONIC.jpg?w=1080&amp;ssl=1 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Por: Amarildo Adriano<\/p>\n\n\n\n<p>Em uma \u00e9poca em que o acesso \u00e0 cultura underground era um desafio \u00e9pico, as lojas de rock de Bras\u00edlia surgiram como verdadeiros o\u00e1sis em meio ao deserto musical que era a capital nos anos 80 e 90. Estas lojas foram mais do que simples pontos de venda: eram templos da resist\u00eancia cultural, conectando jovens a um mundo de m\u00fasica, ideias e possibilidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem internet, redes sociais ou meios de comunica\u00e7\u00e3o dedicados \u00e0 cena alternativa, tudo \u2014 discos, revistas, not\u00edcias e demos \u2014 chegava \u00e0s m\u00e3os dos f\u00e3s atrav\u00e9s desses vision\u00e1rios empreendedores que ousaram desbravar o desconhecido. Essas lojas n\u00e3o apenas abasteciam a paix\u00e3o pela m\u00fasica, mas tamb\u00e9m funcionavam como pontos de encontro, onde amizades se formavam, bandas nasciam e a chama do underground candango era alimentada.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Rock House (110 Sul): A Pioneira<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A <strong>Rock House<\/strong> foi a primeira loja especializada em rock de Bras\u00edlia, abrindo suas portas por volta de 1986\/87 na galeria do Cine Karim, na 110 Sul. Para muitos, visitar a Rock House era uma aventura. Jovens do Gama e de outras cidades sat\u00e9lites enfrentavam \u00f4nibus lotados e a travessia perigosa do \u201cEix\u00e3o da Morte\u201d para chegar ao epicentro do metal brasiliense.<\/p>\n\n\n\n<p>A Rock House se destacou ao trazer discos importados e os ic\u00f4nicos picture discs, uma novidade na \u00e9poca. Para quem n\u00e3o podia comprar, a loja oferecia a possibilidade de gravar fitas cassete, que se tornavam verdadeiras joias compartilhadas por toda a galera. Foi ali, na simplicidade de uma fita gravada, que come\u00e7ou uma revolu\u00e7\u00e3o cultural e musical.<\/p>\n\n\n\n<p>Com uma televis\u00e3o que exibia clipes de bandas como Metallica, Slayer e Kreator, a loja foi o primeiro contato de muitos jovens com o cen\u00e1rio internacional. Mais do que vender m\u00fasica, a Rock House plantou as sementes da cena underground em Bras\u00edlia, fomentando o surgimento de bandas e fortalecendo o amor pela m\u00fasica alternativa.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Devil Discos (Conic): O Ber\u00e7o do Rock no Conic<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A <strong>Devil Discos<\/strong>, inaugurada por volta de 1989\/90, foi uma loja contempor\u00e2nea da Rock House, mas com um enfoque diferente: ela se especializou em punk e hardcore. Localizada no Conic, a Devil foi essencial para transformar o local em um centro de diversidade musical.<\/p>\n\n\n\n<p>A loja era uma filial da gravadora paulista de mesmo nome, trazendo para Bras\u00edlia um vasto cat\u00e1logo de materiais alternativos que iam al\u00e9m do metal, incluindo discos e zines que alimentavam o cen\u00e1rio punk. Sob a lideran\u00e7a de <strong>Gilmar Santos<\/strong>, fundador da banda ARD, a Devil Discos inaugurou um novo cap\u00edtulo para a cena underground candanga, fazendo do Conic um ponto de encontro vital para m\u00fasicos e f\u00e3s.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Head Collection (Conic): O Term\u00f4metro da Cena<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Pequena em tamanho, mas imensa em relev\u00e2ncia, a <strong>Head Collection<\/strong> foi um marco nos anos 90. Conhecida por sua atmosfera acolhedora, a loja se tornou um term\u00f4metro da cena underground, informando sobre as demos lan\u00e7adas, bandas em ascens\u00e3o e novidades do rock alternativo.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a presen\u00e7a de figuras como <strong>M\u00edria Gomes<\/strong>, sempre sorridente, e <strong>Felipe CDC<\/strong>, uma verdadeira enciclop\u00e9dia do underground brasiliense, a loja era um ponto de refer\u00eancia para a troca de ideias e materiais. Era ali que f\u00e3s e m\u00fasicos se encontravam para discutir lan\u00e7amentos, comprar camisetas e zines locais e fortalecer a cena alternativa de Bras\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Subway (Conic): A Divisora de \u00c1guas<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A <strong>Subway<\/strong>, fundada no in\u00edcio dos anos 90 por <strong>Eduardo de Castro<\/strong>, foi mais do que uma loja: foi uma m\u00e1quina de inova\u00e7\u00e3o. Com ra\u00edzes em Goi\u00e2nia, Eduardo trouxe para Bras\u00edlia a mentalidade do &#8220;fa\u00e7a voc\u00ea mesmo&#8221;, criando uma produ\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria de camisetas e estabelecendo a Subway como um dos pilares do underground candango.<\/p>\n\n\n\n<p>A Subway foi fundamental para a consolida\u00e7\u00e3o da cena local, organizando a <strong>ACB Rock<\/strong>, associa\u00e7\u00e3o que conquistou o ic\u00f4nico <strong>Buraco do Rock<\/strong>, espa\u00e7o que se tornaria palco de eventos hist\u00f3ricos. Al\u00e9m disso, a loja fundou o primeiro selo fonogr\u00e1fico de Bras\u00edlia voltado para metal e punk, possibilitando o lan\u00e7amento de bandas como <strong>Valhalla<\/strong>, <strong>Flesh Temptation<\/strong> e <strong>HC 137<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Eduardo foi ainda mais longe, produzindo o EP \u201cMy Brazil\u201d do ARD e o projeto audiovisual <strong>Terapia<\/strong>, que registrou videoclipes de bandas locais, levando o rock candango a um novo patamar. Com tantas contribui\u00e7\u00f5es, a Subway se tornou um divisor de \u00e1guas na hist\u00f3ria do underground brasiliense.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Um Legado Eterno<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Essas lojas foram muito mais do que neg\u00f3cios: foram catalisadoras de uma revolu\u00e7\u00e3o cultural. Elas conectaram gera\u00e7\u00f5es de m\u00fasicos, f\u00e3s e empreendedores, transformando Bras\u00edlia em um dos polos underground mais importantes do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, mesmo que muitas dessas lojas n\u00e3o existam mais fisicamente, sua mem\u00f3ria e legado permanecem vivos. A cena rock de Bras\u00edlia \u00e9 o que \u00e9 gra\u00e7as \u00e0 coragem e \u00e0 paix\u00e3o daqueles que ousaram abrir portas para o desconhecido.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 <strong>Rock House<\/strong>, <strong>Devil Discos<\/strong>, <strong>Head Collection<\/strong>, <strong>Subway<\/strong> e tantas outras que fizeram parte dessa hist\u00f3ria: nossa eterna gratid\u00e3o. Voc\u00eas n\u00e3o foram apenas lojas; voc\u00eas foram far\u00f3is em um mar de incertezas, guiando uma gera\u00e7\u00e3o inteira pelo caminho do rock e da resist\u00eancia cultural.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Amarildo Adriano Em uma \u00e9poca em que o acesso \u00e0 cultura underground era um desafio \u00e9pico, as lojas de rock de Bras\u00edlia surgiram como verdadeiros o\u00e1sis em meio ao deserto musical que era a capital nos anos 80 e 90. Estas lojas foram mais do que simples pontos de venda: eram templos da resist\u00eancia cultural, conectando jovens a um mundo de m\u00fasica, ideias e &hellip; <a href=\"https:\/\/osubversivozine.com.br\/?p=364\" class=\"more-link\">Continuar lendo <span class=\"screen-reader-text\">Homenagem \u00e0s Lojas de Rock de Bras\u00edlia: Os Templos do Underground Candango<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":365,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"advanced_seo_description":"","jetpack_seo_html_title":"","jetpack_seo_noindex":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[11,12],"tags":[],"class_list":["post-364","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","category-das-antigas"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/osubversivozine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/20220505143106_l_CONIC.jpg?fit=1080%2C720&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/osubversivozine.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/364","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/osubversivozine.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/osubversivozine.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/osubversivozine.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/osubversivozine.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=364"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/osubversivozine.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/364\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":366,"href":"https:\/\/osubversivozine.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/364\/revisions\/366"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/osubversivozine.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/365"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/osubversivozine.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=364"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/osubversivozine.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=364"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/osubversivozine.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=364"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}