{"id":723,"date":"2025-03-08T19:01:44","date_gmt":"2025-03-08T19:01:44","guid":{"rendered":"https:\/\/osubversivozine.com.br\/?p=723"},"modified":"2025-03-08T19:21:09","modified_gmt":"2025-03-08T19:21:09","slug":"miasthenia-entre-historia-metal-extremo-e-resistencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/osubversivozine.com.br\/?p=723","title":{"rendered":"Miasthenia: Entre Hist\u00f3ria, Metal Extremo e Resist\u00eancia"},"content":{"rendered":"\n<p>Desde 1994, o <strong>Miasthenia<\/strong> tem se consolidado como uma das bandas mais ic\u00f4nicas do Pagan Black Metal brasileiro, trazendo uma sonoridade extrema aliada a letras que revisitam a hist\u00f3ria e a resist\u00eancia dos povos amer\u00edndios. Com um discurso anticolonial e anticrist\u00e3o, a banda transforma narrativas apagadas em gritos de insurg\u00eancia, criando um metal extremo carregado de significado.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo dos anos, o grupo n\u00e3o apenas expandiu sua discografia com \u00e1lbuns conceituais marcantes, como <em>Supremacia Ancestral<\/em> (2008) e <em>Ant\u00edpodas<\/em> (2017), mas tamb\u00e9m levou suas ideias para o campo acad\u00eamico, promovendo debates sobre representa\u00e7\u00f5es de g\u00eanero no metal. Agora, com o lan\u00e7amento de <em>Esp\u00edritos Rupestres<\/em> e uma forma\u00e7\u00e3o renovada, a banda continua sua jornada de resist\u00eancia, tanto nos palcos quanto na pesquisa sobre a cena extrema.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta entrevista, conversamos com a vocalista e tecladista <strong><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/susanehecate\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\">Susane H\u00e9cate<\/a><\/strong> sobre a trajet\u00f3ria do Miasthenia, a fus\u00e3o entre m\u00fasica e hist\u00f3ria, os desafios enfrentados pelas mulheres no metal e os novos caminhos da banda.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"720\" height=\"619\" data-attachment-id=\"725\" data-permalink=\"https:\/\/osubversivozine.com.br\/?attachment_id=725\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/osubversivozine.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Foto_Miasthenia_Espiritos_Rupestres.jpg?fit=1628%2C1401&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1628,1401\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;Desktop&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;Miasthenia Estrutura Encarte 24 pags.cdr&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"Miasthenia Estrutura Encarte 24 pags.cdr\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/osubversivozine.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Foto_Miasthenia_Espiritos_Rupestres.jpg?fit=720%2C619&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/osubversivozine.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Foto_Miasthenia_Espiritos_Rupestres.jpg?resize=720%2C619&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-725\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/osubversivozine.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Foto_Miasthenia_Espiritos_Rupestres.jpg?resize=1024%2C881&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/osubversivozine.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Foto_Miasthenia_Espiritos_Rupestres.jpg?resize=300%2C258&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/osubversivozine.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Foto_Miasthenia_Espiritos_Rupestres.jpg?resize=768%2C661&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/osubversivozine.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Foto_Miasthenia_Espiritos_Rupestres.jpg?resize=1536%2C1322&amp;ssl=1 1536w, https:\/\/i0.wp.com\/osubversivozine.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Foto_Miasthenia_Espiritos_Rupestres.jpg?resize=105%2C90&amp;ssl=1 105w, https:\/\/i0.wp.com\/osubversivozine.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Foto_Miasthenia_Espiritos_Rupestres.jpg?w=1628&amp;ssl=1 1628w, https:\/\/i0.wp.com\/osubversivozine.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Foto_Miasthenia_Espiritos_Rupestres.jpg?w=1440&amp;ssl=1 1440w\" sizes=\"auto, (max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Desde o in\u00edcio, o Miasthenia construiu uma identidade musical baseada na hist\u00f3ria e mitologia pr\u00e9-colombiana. O que motivou essa escolha tem\u00e1tica e como voc\u00eas acreditam que isso se conecta com o p\u00fablico atual?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Susane H\u00e9cate \u2013<\/strong> Em 1994 o Miasthenia surge com a proposta de fazer um som numa linha Pagan Black Metal inspirada em temas de antigo paganismo.Esse \u00e9 um subg\u00eanero cuja tem\u00e1tica exige certo estudo e pesquisa, porque com a cristianiza\u00e7\u00e3o do Ocidente os saberes ehist\u00f3rias de antigos povos pag\u00e3os foram estigmatizados e deturpados em demonologias e formas de bruxaria e feiti\u00e7ariacriadas para inferiorizar, dominar e silenciar qualquer cren\u00e7a, estilo vida ou filosofia que rivaliza-se com a ortodoxia crist\u00e3. Nossa escolha pela tem\u00e1ticaamer\u00edndia pr\u00e9-colombiana vem do fato de que ela \u00e9 muito mais pr\u00f3xima de n\u00f3s e guarda antigas sabedorias ancestraisque representam fortemente a resist\u00eancia a essa cristianiza\u00e7\u00e3o for\u00e7ada e imposta no per\u00edodo colonial em toda a Am\u00e9rica. Assim, fui cada vez mais me aprofundando em estudos e pesquisassobre mitologias e hist\u00f3rias pr\u00e9-colombianas e tamb\u00e9m sobre as hist\u00f3rias de resist\u00eancia ind\u00edgena colonial, sempre em busca de hist\u00f3rias inspiradoras para a composi\u00e7\u00e3o de cen\u00e1rios m\u00edticos, rituais e tamb\u00e9m de luta contra a domina\u00e7\u00e3o crist\u00e3 colonial.Acho que estas hist\u00f3rias entoadas em portugu\u00eas tem come\u00e7ado a despertar um pouco mais o interesse do p\u00fablico Metal no Brasil, porque eles tem encontrado algum tipo de identifica\u00e7\u00e3o e pot\u00eancia nessa tem\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os \u00e1lbuns da banda possuem forte carga conceitual e fazem uma releitura cr\u00edtica da hist\u00f3ria. Como \u00e9 o processo de transformar relatos hist\u00f3ricos e mitos em letras que evocam resist\u00eancia e for\u00e7a pag\u00e3?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Susane H\u00e9cate <\/strong>\u2013 \u00e9 sempre um processo muito po\u00e9tico, livre e criativo, porque envolve uma interpreta\u00e7\u00e3o e express\u00e3o de temas dentro de uma sonoridade e est\u00e9tica agressiva, \u00e9pica e obscura. Partimos de acontecimentos hist\u00f3ricos que consideramos inspiradores e com liberdade po\u00e9tica os interpretamos e tamb\u00e9m constru\u00edmos personagens e desfechos que deem mais vida e emo\u00e7\u00e3o \u00e0s hist\u00f3rias, sempre tentando fusionar sonoridade e tem\u00e1tica para uma imers\u00e3o musical mais profunda e potente. O Black metal nos permite n\u00e3o s\u00f3 expressar \u00f3dio, raiva e revolta, mas tamb\u00e9m sentimentos de liberdade, for\u00e7a, coragem e poder, e \u00e9 dentro destas emo\u00e7\u00f5es, proporcionadas pela sonoridade, que vamos transformando relat\u00f3rios hist\u00f3ricos em express\u00f5es po\u00e9ticas mais profundas. Por isso transitamos tamb\u00e9m pela fic\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, n\u00e3o para inventar passados, mas porque \u00e9 uma linguagem simb\u00f3lica que se apropria do passado para falar tamb\u00e9m sobre o hoje e o n\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Voc\u00eas mencionam um tipo de &#8220;metafic\u00e7\u00e3o historiogr\u00e1fica&#8221; em suas letras, que desafia narrativas tradicionais. Como esse conceito se reflete nas composi\u00e7\u00f5es de discos como Supremacia Ancestral e Ant\u00edpodas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Susane H\u00e9cate \u2013<\/strong> o Supremacia Ancestral \u00e9 o \u00e1lbum que melhor representa a \u201cmetafic\u00e7\u00e3o historiogr\u00e1fica\u201d em minhas letras. Isso porque cada letra dele \u00e9 baseada em uma hist\u00f3ria real, um movimento ou seita de resist\u00eancia amer\u00edndia \u00e0 domina\u00e7\u00e3o crist\u00e3 colonial. A metafic\u00e7\u00e3o historiogr\u00e1fica acontece quando questionamos a hist\u00f3ria oficial ou dominante, subvertendo verdades que por muito tempo foram inquestion\u00e1veis sobre o passado. Fazemos uma cr\u00edtica a hist\u00f3rias que constru\u00edram os povos amer\u00edndios como covardes, fracos e submissos, ao retrat\u00e1-los como seres de for\u00e7a, coragem, sabedora e resist\u00eancia. Ao mudarmos os desfechos dessas hist\u00f3rias, colocando personagens ind\u00edgenas guerreiros e insubmissos no centro destas hist\u00f3rias, n\u00f3s estamos expressando nossa cr\u00edtica e resist\u00eancia \u00e0s hist\u00f3rias coloniais euroc\u00eantricas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Com trabalhos que unem m\u00fasica extrema e pesquisa acad\u00eamica, como foi a experi\u00eancia de participar do II Congresso Colombiano de Metal? Qual a import\u00e2ncia desse di\u00e1logo entre academia e cena underground?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Susane H\u00e9cate \u2013<\/strong> foi uma experi\u00eancia maravilhosa e de muitos aprendizados. Fui convidada para ser uma das conferencistas desse evento acad\u00eamico de estudos do Metal na Col\u00f4mbia para falar das pesquisas que desenvolvi junto \u00e0 antrop\u00f3loga Thais Brayner sobre as representa\u00e7\u00f5es femininas nas letras de autoria de mulheres do Death e Black Metal. Esse campo de estudos ainda \u00e9 bem pequeno, mas est\u00e1 crescendo e se fortalecendo cada vez mais no mundo todo. Nesse di\u00e1logo, os estudos do Metal t\u00eam proporcionado pesquisas e discuss\u00f5es acad\u00eamicas muito importantes sobre educa\u00e7\u00e3o, cultura, pol\u00edtica, hist\u00f3ria, filosofia, literatura, sociologia, psicologia e outros campos do saber, e isso tem mostrado a riqueza cultural e de pr\u00e1ticas sociais que vivenciamos ou experimentamos dentro das cenas de m\u00fasica Metal.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O Miasthenia j\u00e1 passou por diferentes forma\u00e7\u00f5es ao longo da carreira. Como foi a experi\u00eancia de integrar musicistas mulheres como Ariadne e Alet\u00e9a \u00e0 banda? Qual o impacto dessa mudan\u00e7a para o som e a din\u00e2mica do grupo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Susane H\u00e9cate \u2013 <\/strong>tem sido uma \u00f3tima experi\u00eancia. Elas s\u00e3o muito comprometidas e dedicadas. Compartilho com elas muitas das quest\u00f5es que n\u00f3s mulheres enfrentamos na m\u00fasica extrema e isso nos deu um novo \u00e2nimo. Com elas a gente conseguiu tamb\u00e9m repensar a identidade visual da banda e tivemos a oportunidade de discutir coletivamente todo o processo de composi\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o do novo disco, fotos, encarte e videoclipe com elas. Com certeza isso impactou muitopositivamente na cara e qualidade do novo \u00e1lbum. Elas s\u00e3o musicistas talentosas e incr\u00edveis,se identificaram e imergiram muito bem na proposta sonora e est\u00e9tica desse \u00e1lbum, trazendo mais pot\u00eancia e agressividade para nossa m\u00fasica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A banda tamb\u00e9m tem explorado a Epic Music, como visto no projeto Sinfonia Ritual. Qual foi o maior desafio ao transpor as m\u00fasicas do metal extremo para vers\u00f5es orquestradas e sinf\u00f4nicas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Susane H\u00e9cate \u2013<\/strong> o maior desafio foi o de dar complexidade orquestral e ritual \u00e0s m\u00fasicas, pensando em cada instrumento de orquestra, sua fun\u00e7\u00e3o e momento exato de atua\u00e7\u00e3o, mas para isso contamos com a parceria de Ifall na figura do talentoso Caio Duarte que produziu esse \u00e1lbum com a orquestra\u00e7\u00e3o digital de 5 m\u00fasicas do Miasthenia. Ele conhecida muito bem nossa proposta sonora e tem\u00e1tica, porque havia atuado como t\u00e9cnico de grava\u00e7\u00e3o, mixagem e masteriza\u00e7\u00e3o dos discos nos quais selecionamos estas m\u00fasicas. Ent\u00e3o ele partiu das trilhas de teclados que usamos nas grava\u00e7\u00f5es originais destas m\u00fasicas, acrescentando novos elementos baseados na guitarra, vocal e bateria, de maneira muito criativa e sintonizada com nossa proposta de dungeonsynth e epicmusic. Ficamos muito contentes com o resultado. Era algo que h\u00e1 anos eu vinha idealizando.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As letras da banda muitas vezes apresentam figuras femininas em posi\u00e7\u00f5es de poder e resist\u00eancia. Qual \u00e9 a mensagem que voc\u00eas buscam passar ao subverter as representa\u00e7\u00f5es tradicionais do feminino no metal extremo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Susane H\u00e9cate \u2013<\/strong> o feminino \u00e9 plural e capaz de muita for\u00e7a, viol\u00eancia, resist\u00eancia e agressividade. Nossas personagens femininas s\u00e3o guerreiras fortes e destemidas, uma imagem muito negada \u00e0s mulheres, sobretudo dentro do metal, onde o feminino foi muito retratado de maneira passiva, hipersexualizada ou vitimada na viol\u00eancia dos homens. No novo disco \u201cEsp\u00edritos Rupestres\u201d, a personagem central \u00e9 uma mulher ind\u00edgena ligada \u00e0 espiritualidade ancestral. Ela \u00e9 uma guardi\u00e3 dos mist\u00e9rios rupestres, uma guerreira xam\u00e3, que det\u00e9m o poder de decifrar as pinturas pr\u00e9-hist\u00f3ricas, evocando os mortos e seus poderes, e promovendo rituais de empoderamento e resist\u00eancia numa \u00e9poca de escravid\u00e3o e inquisi\u00e7\u00e3o colonial. Por isso mesmo ela foi perseguida e aprisionada como uma bruxa, um s\u00edmbolo poderoso de resist\u00eancia \u00e0 cristianiza\u00e7\u00e3o. Bruxas e guerreiras s\u00e3o representa\u00e7\u00f5es femininas subversivas, abjetas e profanas aos olhos do Ocidente crist\u00e3o, por isso elegemos essas personagens.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mesmo em uma cena que ainda reproduz pr\u00e1ticas discriminat\u00f3rias, voc\u00eas se posicionam com firmeza e falam sobre liberdade e transforma\u00e7\u00e3o. Quais estrat\u00e9gias e atitudes voc\u00eas acreditam que podem contribuir para uma cena metal mais inclusiva e respeitosa?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Susane H\u00e9cate\u2013<\/strong> O que torna a cena metal mais inclusiva \u00e9 o respeito, mas para isso precisam se desvencilhar de uma s\u00e9rie de preconceitos que n\u00e3o se rompe de um dia para outro. E isso s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel quando bandas que est\u00e3o fora do padr\u00e3o tiverem espa\u00e7o tamb\u00e9m para se manifestar e serem ouvidas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O \u00e1lbum &#8220;Esp\u00edritos Rupestres&#8221; aprofunda ainda mais a conex\u00e3o com as cosmologias ind\u00edgenas. Quais foram as principais inspira\u00e7\u00f5es para as letras e sonoridades dessa nova fase?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Susane H\u00e9cate \u2013 <\/strong>a inspira\u00e7\u00e3o tem\u00e1tica veio de acontecimentos hist\u00f3ricos como a Guerra dos B\u00e1rbaros, uma grande resist\u00eancia ind\u00edgena ao colonialismo que ocorreu entre os s\u00e9culos XVII e XVIII no nordeste brasileiro.Al\u00e9m disso,nossa inspira\u00e7\u00e3o veio de hist\u00f3rias de mulheres ind\u00edgenas e africanas acusadas de bruxaria e feiti\u00e7aria no per\u00edodo colonial e que foram perseguidas, aprisionadas, torturas e assassinadas pelos inquisidores. Recuamos ainda mais no tempo e buscamos tamb\u00e9m inspira\u00e7\u00e3o em tempos pr\u00e9-hist\u00f3ricos, contemplando as pinturas rupestres de guerras e rituais presentes nas cavernas da Serra da Capivara no Piau\u00ed. J\u00e1 a sonoridade segue uma inspira\u00e7\u00e3o que h\u00e1 muito tempo \u00e9 caracter\u00edstica da banda, fazemos som em sintonia com a tem\u00e1tica trazendo elementos variados que v\u00e3o do heavy metal ao mais extremo blackdeath metal, passando por sonoridades sombrias e \u00e9picas inspiradas em trilhas sonoras de filmes de terror e guerra.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-spotify wp-block-embed-spotify wp-embed-aspect-21-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Spotify Embed: Esp\u00edritos Rupestres\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"352\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/album\/2ljqkg15dXAITSivnDmPxG?si=7K9ogCRRTTSUuNWu47mJJA&#038;utm_source=oembed\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Quais elementos novos voc\u00eas exploraram em termos de arranjos, instrumentos ou experimenta\u00e7\u00f5es no processo de composi\u00e7\u00e3o desse \u00e1lbum em compara\u00e7\u00e3o com os anteriores?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Susane H\u00e9cate <\/strong>\u2013 dessa vez exploramos algumas linhas de vocais limpos e heavy metal, e fiz estes vocais junto com a baixistaAlet\u00e9a. Tamb\u00e9m inclu\u00edmos algumas linhas de backing vocais guturais cantados pela Lith (baterista). Al\u00e9m disso, apresentamos algumas linhas de viola cl\u00e1ssica tocadas pela Alet\u00e9a que \u00e9 bacharel em m\u00fasica e toca este instrumento profissionalmente em orquestras. Esse tamb\u00e9m \u00e9 um disco com mais solos de guitarra que os anteriores.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O conceito de \u201cfeminilidades extremas\u201d apresentado na sua confer\u00eancia aborda a ressignifica\u00e7\u00e3o de representa\u00e7\u00f5es femininas no Metal Extremo. Como voc\u00ea percebe a evolu\u00e7\u00e3o dessas narrativas ao longo dos anos, tanto no Brasil quanto no exterior?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Susane H\u00e9cate \u2013<\/strong> n\u00f3s fizemos um estudo de letras de metal extremo produzidas pormulheres entre o ano de 2002 e 2021 em bandas norte-americanas,europeias e latino-americanas de death e black metal, e nelas mapeamos uma s\u00e9rie de representa\u00e7\u00f5es de mulheres assassinas, criminosas, insubmissas, livres, armadas, revolucion\u00e1rias, guerreiras, anticrist\u00e3s, deusas, bruxas e amantes de dem\u00f4nios. Essas representa\u00e7\u00f5es constituem o que chamamos de \u201cfeminilidades extremas\u201d \u2013 performances femininas que se apresentam de maneira transgressora, agressiva e abjetano metal extremo \u2013 por mobilizar e ressignificar atributos historicamente negados \u00e0s mulheres, como os de for\u00e7a, coragem, ousadia,ast\u00facia, insensibilidade, agressividade, crueldade, raiva, raz\u00e3o, vontade, liberdade sexual, protagonismo e resist\u00eancia. Nesse sentido, o que estamos observando \u00e9 a presen\u00e7a crescente de novas narrativas l\u00edrico-musicais, a partir da autoria feminina no Metal. S\u00e3o narrativas que subjetivam as mulheres na for\u00e7a, coragem e agressividade, rompendo com as representa\u00e7\u00f5es femininas tradicionais de inferioriza\u00e7\u00e3o e vitimiza\u00e7\u00e3o das mulheres na cena Metal. O ebook \u201cM\u00fasica Extrema: Ru\u00eddos, Imagens e Sentidos\u201d onde est\u00e1 publicado o nosso cap\u00edtulo pode ser baixado gratuitamente aqui: <a href=\"https:\/\/www.pimentacultural.com\/livro\/musica-extrema\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\">https:\/\/www.pimentacultural.com\/livro\/musica-extrema\/<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios finais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Susane H\u00e9cate \u2013<\/strong> muito obrigada ao \u201cO Subversivo Zine\u201d, desejo-lhes vida longa e muitas realiza\u00e7\u00f5es no apoio \u00e0 cena Metal. Fiquem atentos \u00e0s nossas redes sociais para mais informa\u00e7\u00f5es sobre os shows de lan\u00e7amento de nosso novo \u00e1lbum \u201cEsp\u00edritos Rupestres\u201d pelo Brasil. E para aqueles que ainda n\u00e3o escutaram esse \u00e1lbum, ele est\u00e1 dispon\u00edvel em todas as plataformas de streaming, ou\u00e7am no Spotify, BandCamp e Youtube. Em nosso canal no YouTube est\u00e1 dispon\u00edvel tamb\u00e9m o videoclipe da m\u00fasica Bruxa Xam\u00e3. Agrade\u00e7o por todo apoio e respeito do underground!&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"jetpack-video-wrapper\"><iframe loading=\"lazy\" title=\"Miasthenia - Bruxa Xam\u00e3 (OFFICIAL VIDEO)\" width=\"720\" height=\"405\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/0raiTH76LKo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/div>\n<\/div><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde 1994, o Miasthenia tem se consolidado como uma das bandas mais ic\u00f4nicas do Pagan Black Metal brasileiro, trazendo uma sonoridade extrema aliada a letras que revisitam a hist\u00f3ria e a resist\u00eancia dos povos amer\u00edndios. Com um discurso anticolonial e anticrist\u00e3o, a banda transforma narrativas apagadas em gritos de insurg\u00eancia, criando um metal extremo carregado de significado. 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