




PEQUI NOISE TOUR 2024
Dezembro/2024 – São Paulo/SP
Por Thiago “Barbosa Osvaldo”
07/12/2024 sábado
Ficamos com uma chave da porta dos fundos da Sinfonia de Cães, que dava acesso direto ao quarto que ficamos. Eram umas 4h da manhã, Bonny Jack dormia. Esse cara lembra muito o Falão, ex vocal do Defy. Quando chegamos na casa na sexta-feira, e vi esse cara de longe, achei muito que fosse o Falão. Até todos se ajeitarem, tomar banho e deitar, já deviam ser quase 5h. Jeffer dormiu na cama caixote, daquelas que ficam embaixo da beliche e se puxa. A sinfonia de roncos tomou conta do lugar. Tava pesado. Acordei umas 7h30 e custei a dormir novamente. Mas depois consegui engatar, e quando vi o Fellipe CDC entrando no quarto e perguntei as horas, ele disse que já passava de meio dia. O descanso foi bom e necessário, afinal passaríamos o dia no Masters of Noise, onde tocariam 20 bandas.
Almoçamos ali num restaurante próximo, comida boa, farta e preço bom. Itubaína no casco de cerveja. Combinei com o Neno, que foi baixista do Terror Revolucionário no período de maio/1999 até setembro/2001, de dar uma carona pra gente. Ele mora ali próximo, e iria ao show. Neno só levou a gente até Diadema e voltou pra casa. Disse que voltaria mais tarde pro show. Era perto até, uns 12km de distância. Ele nos disse que uns 40 min de viagem à frente, já chegaria numa praia.
Chegamos cedo no Container DC, local do festival. Primeira banda estava prevista para começar 15h. Haviam poucas pessoas no local. Náder, o mentor e organizador do Masters of Noise foi lá nos receber. O lugar é muito massa, com parte coberta, e as laterais abertas, que dá uma boa ventilada. Mesas espalhadas, inclusive mesas de sinuca, estavam sinalizadas paras as bandas ocuparem e exporem seus materiais. Haviam distros expondo material também. Uma salinha vendia o merchandise oficial do festival com camisetas, bonés, copos e posters. Havia também um local próximo de cada um dos dois palcos para as bandas guardarem seus instrumentos. Bar com bebidas a preços justos nas cervejas, caipirinhas, chopp artesanal. Uma pista de skate na parte superior que nem cheguei a subir para conhecer. Tinha um filhotinho de bode, animal de estimação de alguém da produção ou da casa, que chamava bastante a atenção.
No palco container, sob o comando e cuidado de Renato Gimenez e Rafaela, uma banda se preparava. No outro palco em frente, que na verdade não tinha palco, pois os equipos estavam montados no chão, a primeira banda começou a tocar pontualmente às 15h, mesmo que ainda com poucos presentes. As bandas noisecore D O M e Alma Sebosa (harsh anti vida) se misturaram e em poucos minutos de apresentação, em meio a muitos ruídos dos pedais, sem guitarra e sem baixo, apenas com efeitos de pedais, bateria e vocal, todos encapuzados, fizeram um performance artística anti-música sem firulas. Anderson Gordo, Pipoca e o batera que não sei o nome. E assim seguiu-se o festival Masters of Noise com 20 bandas nesse primeiro dia. Bonny Jack, o italiano one man band tocou na sequência seu blues/rock com algumas versões de clássicos do rock n’ roll. Depois outra banda noisecore, a Déficit. Teve uma banda thrash metal, Cranial Crusher. A galera das bandas ia chegando e formando a grande massa do público. No auge do evento, longe de estar lotado, mas com bom público, clima agradável, garoava bem de leve. De público pagante acho que pode ter tido muito pouco. Mas o giro do povo das bandas, produção e convidados deve segurar muito a onda das vendas do bar.
No Prejudice fez um show foda. Conheço há anos essa banda, principalmente pelo split com o Rot, de 1999. Veteranos da cena do interior, punk/grind/hc old school que nos remetia a bandas dos anos 90. Teve uma banda de hardcore chilena chamada Zaumerio en La Tumba. As bandas sempre se revezando nos dois palcos, com 20 minutos de apresentação para cada. PSG (Poluição Sonora Gratuita) fez um dos melhores shows do dia. Gore/Grind fudido, com efeitos no vocal. Esse trio arregaçou tudo. No final dos sons o batera/vocal dava um grito que parecia muito um mugido de boi, que era muito engraçado. Rachamos o bico toda vez que isso acontecia.
Estralo Sistem, som calcado no punk, com uns caras bem coroas. Xarope, dos carroceiros de Formosa, fizeram um grande show mais uma vez, e fizeram a alegria do povo que gosta de som rápido. Apresentação perfeita. Rock Distrito, uma banda de rock em família. O som em si nem chamou atenção. Mas no final o coroa guitarra/vocal apresentou a banda. Náder, seu filho, no baixo. Seu outro filho na outra guitarra. E o batera era seu sobrinho. E era esse coroa quem cuidava do som do palco no chão. Neno chegou, tomando umas cervejas, confundiu o Vetão com o Gepeto do Ação Direta. Igualzinho.
Pessoal do Besthöven estava por lá, tocariam no dia seguinte. Golpe 16, banda do Espírito Santo, fez um show muito massa. Performance com megafone. Punk doido no vocal. Hellconfesso apavorou no grindcore mais uma vez. Outro show foda. A banda Amnésia Coletiva teve que pedir pra adiantar o show por conta de alguém passando mal. Nessa, nos lascamos e caímos para ser a banda que encerraria a noite e tocaríamos no palco do chão, para aproveitar as peças de bateria do Phrenesy e adiantar a montagem dos equipamentos. Phrenesy fez um show massa. Tocaram poucos sons por conta do tempo curto.
Enquanto a banda Vox Mortem tocava no outro palco, nós do Terror Revolucionário nos preparávamos no outro lado. Nossa amiga Ana Paula apareceu e foi muito massa a presença dela. Wislene, também conhecida como Galega, e namorada do Jeffer, chegou pouco antes de a gente tocar. Juratel passou mal e não conseguiu aparecer. Jeffer Vein estava nervoso, tenso e discutindo com seu irmão Josefeio. Pela confusão de troca da ordem das bandas, deixaram a gente tocar um tempo a mais. Náder, estava onipresente por todos os cantos, sempre com um cigarro na mão, ou uma latinha de cerveja, monitorando e atento a todos detalhes e intercorrências com o som. No final das contas, acho que foi até bom tocar no chão. O atraso gerado no geral não foi tão grande, e não passava de 1h do horário previsto. O som já não estava 100% em nenhum dos palcos mais. Pelo menos no chão a iluminação era mais clara, ficamos próximo do povo que ainda aguentou ficar até o final e tocamos aquele som sem educação, em meio a microfonias, chiados, falhas no som, cabos enrolados e nada de retorno. Renato deu o socorro para trocar o ampli de guitarra no momento certo. Foi um caos insano e maravilhoso. Xupita Pé de Camelo, Aloísio, Josefeio, Fabricera e Wendel fizeram incendiar o show e agitaram pra cacete. Graças a esses caras o show caótico ficou muito animado. Fizeram a gente tocar mais sons no final, a pedidos. O saldo final foi muito positivo. O festival é muito legal e vale demais a pena estar ali um dia sequer. Caravana de Sorocaba e outros localidades se preparavam para a volta pra casa. Toda sorte ao Náder e produção para os demais dias e vida longa ao festival Masters of Noise.
Neno nos levou de volta ao hostel Sinfonia de Cães. Compramos um pizza sabores meia marguerita/meia calabresa atacada na cebola num delivery e comemos sentados num banquinho na rua mesmo. Bairro tranquilo, com uma praça bacana com parquinhos e árvores no bairro Mirandópolis.