
Um grupo de produtores culturais do Distrito Federal quer transformar festivais independentes de rock em uma rede permanente de circulação cultural nas periferias de Brasília. A proposta, intitulada “1º Circuito Underground de Festivais do DF”, prevê a realização de cinco festivais gratuitos em cidades como Riacho Fundo, Plano Piloto, Gama, Guará e Taguatinga, com foco na valorização do rock brasiliense e da produção autoral local.
O primeiro evento confirmado dentro do circuito será o tradicional Headbangers Attack, festival idealizado pelo veterano produtor cultural Felipe CDC, nome conhecido da cena underground do Distrito Federal e um dos articuladores históricos do rock independente brasiliense.
O projeto foi inscrito no Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC) e pretende subsidiar a programação artística dos eventos, considerada pelos organizadores a etapa mais onerosa da cadeia produtiva musical. A iniciativa também aposta na descentralização da cultura, levando shows, oficinas e ações sociais para regiões historicamente afastadas dos grandes investimentos culturais.
Segundo os organizadores, a proposta nasce da articulação entre coletivos e produtores que atuam há anos na cena underground do DF, muitas vezes sem apoio institucional. O objetivo é fortalecer festivais independentes já existentes e consolidar uma agenda integrada de circulação cultural.
“Mais do que somar eventos isolados, o projeto propõe uma estrutura coordenada e sustentável”, destaca o texto da proposta apresentada ao FAC.
A programação prevê 25 apresentações de bandas autorais do DF e Entorno, selecionadas por edital público. Um dos critérios previstos é a participação de mulheres nas formações das bandas, como forma de ampliar a representatividade de gênero dentro da cena rock local.
Além dos shows, o circuito inclui uma feira voltada ao empreendedorismo cultural alternativo, com espaço para 50 expositores ao longo das cinco edições. Também estão previstas campanhas de arrecadação de alimentos, roupas e brinquedos para comunidades em situação de vulnerabilidade social.
Outro eixo importante do projeto é o “Underground Talks”, oficina gratuita voltada à formação de produtores culturais, músicos e técnicos da cena independente. O curso terá quatro módulos, abordando temas como políticas culturais, produção de shows, sustentabilidade de festivais e acesso a editais públicos.
A formação será realizada em dois dias, com carga horária total de 12 horas, e pretende reunir agentes culturais das regiões administrativas contempladas pelo circuito. A metodologia inclui rodas de conversa, estudos de caso, dinâmicas coletivas e oficinas práticas.
Além das atividades presenciais, o projeto prevê a produção de um minidocumentário de até 25 minutos e uma coletânea digital com 25 músicas gravadas ao vivo durante os festivais. Os materiais serão disponibilizados gratuitamente online.
A expectativa da organização é alcançar público superior a 2,5 mil pessoas ao longo do circuito e gerar cerca de 120 empregos diretos.
O projeto também incorpora medidas de acessibilidade, incluindo intérpretes de Libras, audiodescrição, áreas reservadas para pessoas com deficiência e transporte gratuito para o público das regiões periféricas.
A iniciativa reforça um movimento que vem crescendo no Distrito Federal: o de ocupação cultural das periferias por coletivos independentes que utilizam a música como ferramenta de articulação social, formação política e geração de renda.
Se aprovado pelo FAC, o Circuito Underground de Festivais do DF deverá ser executado entre abril e dezembro de 2026.
