
Por: Amarildo Adriano
Poucas bandas carregam consigo o peso e a intensidade de uma história como a da Poena. Nascida em Brasília no início dos anos 2000, a banda conquistou um espaço único na cena underground candanga com sua abordagem visceral e suas apresentações incendiárias. Com dois vocais femininos – algo raro na época –, a Poena era uma força criativa que misturava música, poesia, gritos e lutas, ressoando as angústias e aspirações de uma geração.
Agora, duas décadas após as gravações, o tão aguardado álbum de estreia “Grandes Manchas“ finalmente chega ao público. Gravado entre setembro de 2004 e novembro de 2005 no Orbis Estúdio, o disco permaneceu guardado por anos, um tesouro adormecido de um grupo que parecia estar destinado a ser uma das grandes da música independente no Brasil.
Quando a banda estava prestes a lançar o trabalho, em 2006, a Poena chegou ao fim. O lançamento foi inviabilizado, mas as canções, compostas com intensidade e autenticidade, resistiram ao tempo. Disponível agora no Spotify, YouTube, Apple Music e outras plataformas de streaming, Grandes Manchas é um testamento ao que a banda representou: uma explosão criativa que tocou o horizonte e deixou marcas profundas.
A formação de uma potência criativa
Poena começou como a ideia de Carolina Diniz e Marcelo Farias, que, com entusiasmo, encontraram Ludmila Gaudad durante uma troca de ideias em uma sala da universidade. Pouco depois, Rafael Maranhão e Felipe Mendes se uniram ao grupo, trazendo a energia necessária para transformar a ideia em realidade.
Com uma química evidente desde o primeiro ensaio – onde tocaram uma música do Walls of Jericho –, a banda encontrou em Clarissa Carvalho a peça final que diversificou ainda mais o som do grupo. Enquanto Carolina e Ludmila exploravam vocais poderosos e complementares, os riffs de Rafael e Clarissa se entrelaçavam com a bateria enérgica de Felipe e o baixo pulsante de Marcelo.
Música como resistência
As letras da Poena eram tão impactantes quanto suas músicas. Cada composição trazia reflexões sobre temas que inquietavam os integrantes: questões sociais, experiências pessoais e os desafios de viver em uma sociedade que muitas vezes prefere silenciar o que não compreende. A escolha do nome “Poena”, que significa “pena” ou “punição” em latim, traduzia a essência da banda: uma doçura que carregava uma força contundente, traduzida em gritos, melodias e poesia.
Grandes Manchas: o álbum que atravessou o tempo
O álbum Grandes Manchas é um reflexo dessa intensidade. Construído com paixão ao longo de mais de um ano de gravações, o disco é uma fusão de riffs poderosos, arranjos intricados e letras profundas que dialogam com a alma dos ouvintes. Apesar de ter ficado guardado por tanto tempo, o material soa atual, como se tivesse sido escrito para o momento presente.
Com o relançamento, a banda também celebra a importância de revisitar o passado e honrar as ideias que nunca foram compartilhadas. “Uma ideia que nasce do coração tem mais poder quando se constrói abraçada por outros corações”, escreveu Carol ao anunciar o álbum.

Uma nova vida para Poena
Hoje, Grandes Manchas resgata o legado de uma banda que teve seu percurso interrompido, mas cuja música nunca deixou de pulsar nos corações de seus integrantes e fãs. Com o lançamento do álbum, Carolina, Ludmila, Marcelo, Rafael, Clarissa e Felipe não apenas compartilham sua arte, mas também nos lembram da beleza de sonhar e construir, mesmo diante de incertezas e desafios.
Seja um apaixonado pela cena underground ou um curioso em busca de algo visceral e verdadeiro, o álbum Grandes Manchas é um convite para mergulhar na intensidade única da Poena. E, quem sabe, para reimaginar até onde a banda poderia ter chegado.
Poena é:
Carolina Diniz – Vocal
Ludmila Gaudad – Vocal
Marcelo Farias – Baixo
Rafael Maranhão – Guitarra
Clarissa Carvalho – Guitarra
Felipe Mendes – Bateria
Ouça agora no Spotify, YouTube, Apple Music e em todas as plataformas de streaming.
Poena vive, e sua chama nunca apagou.
Poena no Porão do Rock 2005