
Em novembro de 2013 saiu a 2ª edição do livro O DIÁRIO DA TURMA 1976-1986: A HISTÓRIA DO ROCK DE BRASÍLIA. Dessa vez pelo selo de Brasília Pedra na Mão, que pertence a Editora Briquet de Lemos.
O livro conta a história de uma turma de amigos de Brasília conhecida como Turma da Colina, e de onde surgiram as bandas Legião Urbana, Capital Inicial, Plebe Rude, entre outras. O DIÁRIO DA TURMA é baseado em depoimentos e conta toda história dessa Turma, de como a amizade surgiu até o sucesso nacional das três bandas citadas, além de outras. Mas o livro não só conta a história musical, mas todo o contexto e aventuras vividas por essa Turma, na Brasília dos anos 1970 e 1980. Fotos raras ilustram o livro (2023: nesta edição digital não há imagens).
Há a participação dos músicos Herbert Vianna e Bi Ribeiro (Os Paralamas do Sucesso); Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá (Legião Urbana); Dinho Ouro Preto, Fê e Flávio Lemos (Capital Inicial); Philippe Seabra, André Mueller e Gutje (Plebe Rude); Digão e Canisso (Raimundos), entre outros.
Dinho Ouro Preto (Capital Inicial) assina o texto de contracapa, André Mueller (Plebe Rude) fez o texto que esta aqui neste texto de apresentação.
Há também duas reportagens de arquivo, ambas publicadas em 1983. Uma do Jornal do Brasil, escrita por Jamari França; e outra do Correio Braziliense, que é a primeira entrevista de Renato Russo.
Lançado primeiramente em 2001, O DIÁRIO DA TURMA 1976-1986: A HISTÓRIA DO ROCK DE BRASÍLIA serviu de inspiração para projetos de livros, documentários e filmes.
Nesta edição digital ebook todos os textos da 1ª e 2ª edição estão reunidos. Mais detalhes no prefácio.
Com a palavra André Mueller, fundador e baixista da Plebe Rude, e uma das pessoas que começaram toda essa história:
Durante meu exílio fora de Brasília, um ano na Inglaterra, 1978/1979, acompanhando o doutorado de minha mãe, e seis meses em Curitiba, 1980, estudando para o vestibular, meus únicos contatos no Planalto Central eram meus melhores amigos Felipe Lemos e André Pretorius. Naquela época, nos comunicávamos por meio do correio, por cartas, escritas à mão. Fiquei sabendo os detalhes do famoso primeiro show do Aborto Elétrico, que marcou o início do punk-Brasília.
Fast-forward para 2013. De novo, em exílio, desta vez nos EUA para fazer meu próprio mestrado. Notícias chegam quase em tempo real. Fica claro o interesse pelo fenômeno: documentário “Rock Brasília – Era de Ouro”, de Vladimir Carvalho; “Somos tão Jovens”, filme Antônio Carlos da Fontoura; e finalmente a gravação de Helicópteros no Céu, pelo Capital Inicial num DVD dedicado ao Aborto Elétrico. Todos atraindo prêmios, público e vendas.
Mas a história contada por um documentarista de outra geração, interpretada por atores que parecem saído da novela Malhação ou cantada por um roqueiro acostumado com os holofotes deste século – por melhor que sejam seus esforços louváveis – não captura o que foi viver tudo aquilo. O que mais se aproxima é este livro do Paulo, que ouviu os insiders, os que carregam as cicatrizes da época em suas almas. Os que estavam no lugar certo (ou errado?) na hora certa. Os que não conheceram tudo aquilo em retrospectiva, mas queimaram suas adolescências naqueles anos. Enfrentaram a luz do futuro de frente, não sabendo se era o afago do sol ou a porrada de um trem vindo na direção oposta. Essa é a história da Tchurma, cujos personagens ainda se encontram hoje em dia. Mas não falam explicitamente do passado. Pra quê? Basta dar um sorriso, um olhar, um gesto e tudo está compreendido: vivemos aquilo.