The Plagues Return

MotoRock, Taguatinga/DF
08/02/2025

Por Thiago “Barbosa Osvaldo”

Ivan Gordinho foi o grande responsável e mentor dos shows que aconteceram entre 2004 até mais ou menos 2012, na APOAL, uma associação e espaço que existiu na cidade de Águas Lindas/GO, ou melhor, Parque da Barragem, como era conhecida antigamente. Eventos lendários pra quem presenciou aqueles momentos.
Gordinho deu uma sumida por alguns anos, e retornou dizendo que estava com uma nova banda, e com alguns meses de antecedência anunciou um show resgatando bandas já paradas por muito tempo que fizeram parte dos anos de ouro da APOAL e também do Caga-Sangue Thrash.

Cheguei cedo no local junto do Poney Ramos. Gordinho já estava por lá, junto de seus ajudantes da produção, som montando no MotoRock, espaço bacana que fica na QNJ em Taguatinga/DF. Gordinho meteu umas pratas nos dentes e deixou a peleira crescer.

Galera chegando naquele clima de confraternização e nostalgia. Vieram num carro vindo do plano piloto: Juan Lerda (ex Violator e Possuído pelo Cão), Pomper (Xarope), Lauro Saul de Paracatu, Alex Coroa e Marquinhos Barbudo. Povo do Tirei Zero vindo de Goiânia, povo do Orgy of Flies vindo de Formosa/GO.
Fellipe CDC que mora na rua ao lado do bar e Adriana Drikaos, meus parceiros do Terror Revolucionário.

Tinha tudo para ser uma grande celebração nessa noite. E assim foi.

Thrash Town Terror começou o show, com atraso de uma hora do horário marcado que o Gordinho havia me passado. Foi bom que juntou uma galera que estava chegando, e foi ruim pelo andamento do show e pelos problemas que rolaram mais tarde…
Pois então, primeiro show da banda com pegada crossover/thrash, que tinha até uma suingue meio Suicidal e Leeway. Ivan Gordinho, Samuel (ex Mosh Ataque) e mais dois comparsas. Tiraram o melhor som da noite nos equipamentos. O som da banda não é inovador, e nem precisava ser, pois tem todo o carisma e presença do Gordinho e a pegada bem cativante no som que já convidada pro mosh pit. Grande estreia. Curti demais e fiquei empolgado. Gordinho estava apavorando na presença.

Das vezes que fui ao MotoRock, nunca vi tão cheio como ficou nessa noite. Em certo momento o Gordinho me disse que tinha vendido 150 entradas. O bar e a parte externa estava tomada por headbangers novatos e veteranos, tudo misturado e curtindo muito. O bar vendeu tanto que acabaram as cervejas em lata e long neck. Disso eles não poderão reclamar. Mas da bagunça que começou à partir da próxima banda, eles se lembrarão para sempre.

Tirei Zero (Goiânia/GO) já não existe mais como banda ativa. Foi uma reunião para atender o convite do Gordinho. Grandes irmãos nessa banda. Júlio Goianelson, Bruno, Pedrinho Cigarro e Vitinho. Vieram preparados pra promover algazarra. Skate hardcore com aquela pegada de muleque doido.
Trouxeram sacos de confete, foguetinho lança papel celofane colorido e muito spray de espuma branca. Isso tudo se misturava às cervejas derramadas no chão, que ficou uma beleza. Produção do show descolou até um cama elástica daquelas de academia pra incentivar a farra. Pedrinho Cigarro tava pulando mais que cabrito no cio. Theo se divertia com a prancha bodyboard. O show foi bastante animado. O dono do bar, operando o som e lançando músicas nos intervalos das bandas, não estava nada feliz com o que presenciava. Henrique Brazlândia registrou tudo com excelentes fotos que não fica nada atrás dos grandes fotógrafos de shows punk/hardcore. Temos um grande fotógrafo em nossa cidade que sabe captar os momentos únicos nas apresentações.

Poney Ramos (Violator e Possuído pelo Cão) estava como apresentador das bandas. Ao lançar a próxima banda, criticou a passagem anterior do clipe do System of a Down, logo antes do Massacre Bestial, que deixou o dono do bar grilado. Haha Tanto é que o cara logo após o show repetiu o mesmo clipe só para provocar e confirmar o seu mal gosto como DJ, escolhendo músicas do Pantera e outras porcarias.

Massacre Bestial chegou com Darkhell (Evil Corpse), Ivan Gordinho – baixo/vocal – e o Samuel que já havia tocado na primeira banda, como baterista, no lugar do batera original Rômulo, que nem deu as caras no show.
Samuel fez um excelente trabalho, Darkhell, num visú Schmier do Destruction, é o guitarrista da formação clássica do Massacre e o Gordinho confirmou ser o Rei do Parque da Barragem, descascando cebola com seu baixo, onde não acertou uma música inteira sequer. Todos os clássicos da banda foram cantados pelo público, que agitou do início ao fim, fazendo um dos shows mais emocionantes da noite. Gordinho apavorou, e se emocionou dizendo que era o melhor dia da vida dele.
Após o show ele estava na frente do palco recebendo os cumprimentos emocionado. Eu dei um abraço no bicho e lágrimas desceram de ambos os lados. Fiquei arrepiado aqui escrevendo, só de lembrar desse momento. Gordinho é foda! Danilão, o médico dos rockeiros, chegava para amolar seu bisturi junto de seu Orgy of Flies e foi testemunha.

Outro show muito esperado veio na sequência. Poney anunciou os carroceiros death metaleiros de Formosa/GO, em sua formação original: Danilão, Rafael e Alessandro.
Riffs e o vocal ogro do Dr. Danilo são características fortes do Orgy of Flies, banda que tive a felicidade de receber num dos Caga-Sangue Thrash, e há mais de 20 anos tenho o prazer de sempre encontrar esses camaradas pelos caminhos underground.

Outro show bastante esperado se aproximava. A farra continuaria forte e intensa com a volta que ninguém pediu do Low Life. Dudu Almôndegas está de volta. Ele e o Lucca recrutaram Tulio Swanker (DFC e Possuído pelo Cão), Micuim (ex Cadibóde) e o grande DJ Catioro soltando as vinhetas e demais putarias, como convidado especial. Formação nova está muito massa e a chinela cantou no salão do MotoRock. Dudu estava possesso, empurrando e provocando o público. “Sai da minha frente! Sai da minha frente!” Hahaha
Aproveitaram pra anunciar enfim o lançamento de sua aguardada gravação de mais de dez anos, num split LP e K7 junto do DFC.

Poney Ramos esteve na frente do palco durante todo o tempo e curtiu todas as bandas agitando, super empolgado, no melhor estilo bonecão, vassourando o salão.

Emendado no Low Life, uma aparição relâmpago do Possuído Pelo Cão tocando 3 sons. Peguei a guitarra do Vitinho Tirei Zero, pluguei no ampli rapidamente, Júlio chegou na bateria do jeito que ela estava e mandamos A Marcha do Cão. Somente mais uma aparição. Nunca sabemos quando isso acontecerá novamente.

Gilvany e suas camisetas, Marcel Ianuck, Ives do Mato Grosso, Hery, Caio Bahia, Michelle No Class, Tuttis, Frajola, Aline Metal, Marc Lizzy, Gustavo, Yanca, Marcondes, Juliano, Mário, David Batera, Aline Galega, Cambito, Agivanda, Luana, MC. Todo mundo resistindo ao cansaço, pois já passava de 1h da manhã, horário que a casa propôs à produção para encerrar o evento.

Pesticide ficou a cargo de fechar a noite e se lascaram por isso. A equipe do bar já reclamando do horário e da bagunça no salão, fora as cervejas caindo nos equipamentos que foi a deixa pra limarem o Pesticide, que só pôde tocar a intro + 2 sons.
A banda estava com muita expectativa, assim como o público que os aguardava. O que conseguiram tocar foi muito foda. Capaça tirou um som incrível na guitarra. A formação para mim era surpresa até poucos dias antes do show. Vieram com Yarlles, Luiz, Capaça e Lourenço (Blackskull). Não sei se continuarão a tocar, ou se foi somente para essa ocasião.
Gordinho ao final estava preocupado e bolado, com a dona que o chamava no canto pra dar um sermão.
O que importa é que ele fez um rolê histórico e insano.
Valeu Gordinho!

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