ROCK FOLIA – ALQUIMIA TABERNA BAR – SOF SUL, BRASÍLIA/DF
03/03/2025
Por Thiago “Barbosa Osvaldo”
Quarta noite do Rock Folia, ou o Carnarock, organizado pelo Ronan da Mosh Produções, e dessa vez em parceria com o Sérgio Debulha, ou melhor, o Debulhator. Figuras da cena de Brasília esses dois produtores, que já devem ter aprontado um bocado pela 109 Sul e nas festas na casa do Cacalo.
Ajudei a produção na curadoria. Deu um pouco de trabalho para encontrar bandas disponíveis pra esse segunda-feira de carnaval, mas conseguimos montar um excelente line-up. Passei na noite anterior, e peguei show do Nightwolf e Fim do Mundo. Pena que estava bem vazio.
A oferta de bloquinhos de carnaval e demais opções nesse feriado era muito grande. Transporte público gratuito nesses 4 dias de carnaval por todo o DF. Chegamos cedo, eu e meu comparsa Marcel Ianuck, acompanhados pelo Gilvany das muambas underground. Ronan não aguentou o pique e meteu atestado nesse dia para cuidar da saúde. Não é moleza aguentar 4 noites varando a madrugada. O corpo pede arrego. Debulhator segurou a onda e cuidava da portaria e bilheteria.
No bar, Hugo, o proprietário do Alquimia era só sorrisos. Ele contou que se amarra em fazer esse tipo de evento em sua casa, que não lhe dá dor de cabeça e nem confusão. Pessoal das bandas eram todos conhecidos e camaradas, não haveria problemas. E assim seguiu por toda a noite, só com a rockeirada curtindo, bebendo, fumando, batendo cabeça, trocando ideia. O acesso ao Alquimia continua com obras pelo Sof Sul, então rola umas ruas esburacadas, outras sem asfalto, o matagal no final da rua servindo de pasto pros centauros uivarem noite a dentro. O banheiro carniça e os quartinhos imundos na parte superior continuam intactos. É o nosso CBGB de Brasília funcionando com força total em 2025. Vida longa ao Alquimia Taberna Bar!
Danilo Gordinho está em parceria com o Alquimia, e vem colocando seu equipamento de som na casa. Segura muito bem a onda, e o Danilo é firmeza total e deu todo suporte necessário pras bandas.
Eram 19h53 quando o Morbid Devourment começou a tocar. Marcado pra 19h, já rolou um pequeno atraso. A galera estava chegando, e uma rockeirada novinha chegou junto para acompanhar a primeira banda. Carregados no visú headbanger, com correntes, cabeleira, jaquetas cheias de patches, muito não deviam ter 18 anos completos. Tava massa de ver. Ficavam vários no andar de cima, não sei se usando drogas ou chupando um pirulito. Me amarro quando vou num show e vejo essa galera. Morbid Devoument detonou seu thrash carroceiro. Pegada old school total tipo Sodom, Destruction. Tocaram sons próprios e alguns covers. Caio na batera tocando muito bem. Pedro Ponei (isso mesmo, outro Ponei) na guitarra e Freak no baixo/vocal. O baixo do Freak pipocando que só o caralho o cabo. Ponei com a capa da guitarra largada no palco. Do jeito que tirou a guitarra, ali ficou a capa. O jeito largado de terminar os sons puxa a carroceiragem dessa molecada que vai destruir muito por aí ainda. No final puxaram um cover que o Caio me contou depois ser de uma banda chamada Randy (som: Beast in the Night), bem heavy tradicional, que contou com a participação de um mini banger colombiano no vocal. Foi sucesso total! 33 minutos o show do Morbid Devourment.
Algum problema com o guitarrista do Transtorno Nuclear, e por isso a banda N.W.77 teve que antecipar seu show. Arrumaram o palco e o Hugo pediu pra banda só começar às 21h. Enquanto rolavam clipes de bandas thrash metal no telão, a galera se amontoava no espaço aberto do lado de fora trocando ideia e apreciando as banquinhas de merchandise. Frajola, Lary, Ives, Fabricera, batera do Nightwolf, Marc Lizzy, Mário, Juliano. Petrônio Maldito apareceu por lá. Pícaro, Phú e Hery também.
N.W. 77 fez um show muito bom, dos melhores que já vi deles. Alguns probleminhas técnicos rapidamente resolvidos, e fizeram um set foda, pegaram o público quente e agitando bastante. A animação do batera Paulinho é contagiante. Show de 36 minutos. Um dos shows mais animados da noite. Até que não caiu tão mal a mudança na ordem das bandas.
A movimentação na área do bar era intensa. Nesse dia não tinham o chopp disponível, somente cerveja em lata. Demoraram pra colocar essa opção de cerveja disponível no cardápio da casa. Ponto pro Alquimia que atendeu essa sugestão de seus clientes. Que venham agora mais opções.
Transtorno Nuclear acabou ficando sem um dos guitarristas (Bigode tomou umas canas a mais), que não pôde comparecer. Mas a Venus, atualmente somente vocalista, reaveu sua antiga posição, pegou a guitarra e equipamentos do Marcinho do N.W.77 e tocou junto da Dabi. Crossover/Thrash insano. Banda tem tocado pouco, e quando aparece vem no veneno. Muita gente estava ali para vê-los e agitou bastante. 40 min o tempo no palco tocando.
Já eram quase 23h quando subimos no palco com Terror Revolucionário. Meus equipamentos resolveram me sabotar. Pedal chromatic tuner, cabo, guitarra com ruído. Demorou um pouco para resolver e ajeitamos de um jeito que desse pra seguir o show. No palco o som tava meio estranho. Na frente algumas pessoas comentaram depois que estava bom e que foi massa. O público já dava algum sinal de cansaço e alguns já tinham ido embora. Ficar em pé por várias horas, com aquela barulheira no ouvido cansa. De qualquer forma, foi massa demais. Quem tava na frente agitou junto da banda. Venus tocou bateria em Neste Inferno e deu seu toque especial. Ficou perfeita a execução e participação. No final Jôsefer e Marcel gritaram o refrão de Qual o destino da humanidade? para fechar.
Low Life pegou menos público ainda. Mas a galera que estava presente esperava pela banda, que mais uma vez, como no show do Moto Rock dia 08/02, fez um grande show. Galera agitou, bateu cabeça e instigou a banda. Segundo show com essa atual formação que tá muito massa. 29 min de show. Dudu alucinado, ainda fez uma intervenção a la Zumbi do Mato com seu teclado.
Coube pro Trash Town Terror encerrar a noite. Quando geram atrasos, as últimas bandas se lascam. A banda e o público ficam cansados. Ainda tinha gente para vê-los. Fizeram um show curto, de 16 min, que é o set list mesmo da banda por enquanto. Darkhell foi o baixista nesse dia. Gordinho pulava e agitava no palco, e xingava porque tinham sido a última banda. Faz parte, uma banda teria que fechar, e nesse dia foi a banda mais novata. Deram azar pelo atraso e pelo horário tardio.
Acabou tudo e já passava de 1h da manhã. Nós do Terror Revolucionário ficamos do início ao fim, prestigiando e apoiando todas as bandas. Foi um grande noite. A canseira nos dias seguintes é pesada. O corpo já não entrega a mesma energia de alguns anos atrás.